Sustentabilidade no setor marítimo: Como o RJ avança em energias renováveis e navegação limpa.

A transição energética deixou de ser um debate conceitual e passou a integrar a rotina operacional do setor marítimo global. Pressionado por metas da IMO, compromissos climáticos internacionais e exigências cada vez mais rígidas de armadores e embarcadores, o setor avança na adoção de combustíveis de baixo carbono, eficiência energética e redução estrutural de emissões.

No Estado do Rio de Janeiro, esse movimento já é concreto e operacional. Portos e terminais fluminenses vêm implementando soluções reais de descarbonização, como eletrificação de equipamentos, uso intensivo de fontes renováveis e, mais recentemente, a adoção de OPS (Onshore Power Supply), posicionando o RJ como referência nacional em logística marítima sustentável.


Por que a descarbonização marítima é estratégica para o Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro abriga uma das cadeias marítimas mais intensivas do país, envolvendo petróleo e gás, apoio offshore, granéis, carga geral, cabotagem, longo curso, navegação interior e indústria naval. Esse perfil torna o estado altamente exposto às exigências ambientais internacionais, que hoje influenciam diretamente contratos, escolha de rotas, investimentos e permanência de armadores.

Nesse contexto, sustentabilidade deixou de ser diferencial reputacional e passou a ser um requisito comercial e operacional, determinante para competitividade portuária, atração de investimentos e inserção do estado nas cadeias globais de comércio.


Sustentabilidade aplicada na prática: o que já está em operação nos portos do RJ

Mais do que planos ou intenções, os portos fluminenses já incorporam práticas sustentáveis ao seu dia a dia operacional, com impactos diretos em eficiência, custo e emissões.

OPS (Onshore Power Supply) no Porto do Rio de Janeiro
O Porto do Rio de Janeiro já iniciou operações de OPS, sistema que permite o fornecimento de energia elétrica em terra para embarcações atracadas. Com isso, os navios desligam seus motores auxiliares a diesel durante a permanência no cais, reduzindo significativamente emissões atmosféricas, ruído e impacto ambiental na área portuária e no entorno urbano.

Terminais carbono neutros e uso intensivo de energia renovável
Já existem terminais no Porto do Rio que operam como carbono neutro, adotando compensações ambientais, eficiência energética e uso majoritário de energia proveniente de fontes renováveis. Em diversos casos, uma parcela relevante do consumo elétrico dos terminais já é suprida por matrizes limpas, como energia solar e contratos de fornecimento renovável.

Eletrificação de equipamentos portuários
A eletrificação deixou de ser tendência e tornou-se realidade. Boa parte dos equipamentos portuários disponíveis — incluindo guindastes, RTGs, sistemas de movimentação e equipamentos auxiliares — já opera com energia elétrica, reduzindo o consumo de diesel, emissões de CO₂ e custos operacionais no médio e longo prazo.

Hidrogênio verde no Porto do Açu
O Porto do Açu consolida-se como um dos principais polos nacionais em desenvolvimento de hidrogênio verde, com projetos voltados à produção, armazenamento e exportação de energia de baixo carbono. A iniciativa conecta o porto às novas cadeias globais de suprimento energético e reforça seu papel estratégico na transição energética brasileira.

Tecnologia e sustentabilidade nos terminais privados
A inovação tecnológica também contribui diretamente para práticas sustentáveis. Um exemplo é o scanner de contêineres da Multiterminais, primeiro do Brasil a atender à norma 76 da COANA. A solução reduz deslocamentos, retrabalhos e tempo de inspeção, gerando ganhos ambientais, operacionais e logísticos.

Gestão energética e controle operacional inteligente
Centros de controle operacional, sistemas de monitoramento em tempo real e análise de dados permitem melhor gestão de consumo energético, filas, equipamentos e janelas operacionais, reduzindo desperdícios e emissões indiretas ao longo da cadeia portuária.


Impactos diretos no comércio exterior fluminense

A consolidação dessas práticas sustentáveis gera efeitos estruturais para o comércio exterior do Rio de Janeiro:

  • Atração de armadores com metas globais de descarbonização
  • Redução de custos operacionais no médio e longo prazo
  • Melhoria da relação porto–cidade, com menor impacto ambiental
  • Fortalecimento da reputação internacional do estado
  • Estímulo a investimentos alinhados à agenda ESG
  • Alinhamento às metas da IMO para 2030 e 2050

A sustentabilidade passa a atuar como vetor econômico, operacional e estratégico, e não apenas como discurso institucional.


Visão institucional

Eduardo Miguez, Presidente do Portal ComexRio, destaca que a transição energética no setor marítimo já é uma realidade no Rio de Janeiro, com iniciativas concretas que fortalecem a competitividade do estado e o posicionam como referência nacional em logística sustentável.

Raquel Lannes, Diretora de Novos Negócios do Grupo Brasil Export e membro do Comitê, reforça que a agenda ESG deixou de ser opcional e se tornou estratégica para o desenvolvimento da infraestrutura portuária, com os portos do RJ apresentando condições reais de liderar projetos de descarbonização e energias renováveis no país.


O futuro da logística marítima sustentável no RJ

Nos próximos anos, o estado tende a avançar ainda mais com:

  • Expansão do uso de OPS em terminais e berços
  • Ampliação da eletrificação de frotas e equipamentos
  • Consolidação de hubs de hidrogênio verde
  • Fortalecimento de políticas ambientais portuárias
  • Conexão com rotas marítimas globais de baixo carbono

A transição energética não é mais uma possibilidade futura, mas um processo em curso.


Conclusão

O Rio de Janeiro consolida-se como protagonista nacional na descarbonização do setor marítimo. Com OPS em operação, terminais carbono neutros, uso intensivo de energia renovável e eletrificação de equipamentos, o estado demonstra que a sustentabilidade já faz parte da realidade portuária.

Essas iniciativas preparam o comércio exterior fluminense para um cenário mais limpo, eficiente e competitivo, alinhado às exigências globais da logística marítima. O Portal ComexRio seguirá acompanhando essas transformações, oferecendo análises técnicas, exemplos práticos e conteúdo qualificado para profissionais e estudantes de comércio exterior.ico.

O Portal ComexRio seguirá acompanhando essas transformações, oferecendo análises técnicas, exemplos práticos e conteúdo qualificado para profissionais e estudantes de comércio exterior e logística.


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